O que é Impetigo?
O impetigo é uma infecção bacteriana superficial da pele altamente contagiosa, mais comum em crianças entre 2 e 5 anos, embora possa afetar pessoas de qualquer idade. É causado principalmente pelas bactérias Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A).
O impetigo é uma das infecções de pele mais comuns em crianças, especialmente em regiões de clima quente e úmido. Apesar de ser altamente contagioso, raramente representa risco à vida e responde bem ao tratamento adequado.
Tipos de Impetigo
1. Impetigo Crostoso (Não Bolhoso)
É o tipo mais comum, representando cerca de 70% dos casos. Começa como pequenas vesículas (bolhinhas) ou pústulas que se rompem rapidamente, formando crostas cor de mel características sobre a pele avermelhada. Afeta principalmente a face (ao redor da boca e do nariz), mas pode surgir em qualquer área do corpo.
2. Impetigo Bolhoso
Causado exclusivamente pelo Staphylococcus aureus toxigênico, manifesta-se como bolhas maiores e flácidas (>2 cm), com conteúdo inicialmente claro que se torna turvo. As bolhas se rompem facilmente, deixando erosões com borda eritematosa. É mais frequente em recém-nascidos e lactentes.
3. Ectima
É uma forma mais profunda do impetigo, que penetra a derme formando úlceras com crostas escuras e espessas. Cura mais lentamente e pode deixar cicatrizes. É mais comum em pacientes com higiene precária, desnutrição ou imunidade comprometida.
Como Ocorre o Contágio?
O impetigo se transmite facilmente pelo contato direto com as lesões de uma pessoa infectada ou com objetos contaminados, como toalhas, roupas e brinquedos. A autoinoculação é frequente — a criança coça as lesões e as espalha para outras regiões do corpo. Pequenos cortes, arranhões, picadas de inseto e lesões de outras doenças de pele (como eczema) são portas de entrada para as bactérias.
Sintomas do Impetigo
Os principais sintomas do impetigo incluem lesões avermelhadas que evoluem para vesículas, pústulas ou bolhas que se rompem formando crostas cor de mel, coceira moderada na região afetada, lesões que se disseminam rapidamente se coçadas, e linfonodos aumentados (ínguas) nas proximidades das lesões em alguns casos. Febre raramente ocorre no impetigo localizado.
Diagnóstico
O diagnóstico do impetigo é essencialmente clínico, baseado na aparência característica das lesões. Em casos extensos, recorrentes ou resistentes ao tratamento, o dermatologista pode solicitar cultura bacteriana do material das lesões com antibiograma para identificar a bactéria e determinar o antibiótico mais adequado.
Tratamentos para Impetigo
1. Antibióticos Tópicos
Para casos leves e localizados, a mupirocina ou o ácido fusídico tópico são os antibióticos de escolha. São aplicados diretamente nas lesões 3 vezes ao dia por 5 a 7 dias. Previamente ao uso, as crostas devem ser removidas com compressas úmidas.
2. Antibióticos Orais
Indicados quando as lesões são extensas, numerosas, estão em locais de difícil acesso ou quando há comprometimento geral do paciente. As cefalosporinas de primeira geração (cefalexina), a amoxicilina-clavulanato e a clindamicina são as opções mais utilizadas pelo dermatologista.
3. Higiene Local
Lavar as lesões com água e sabão suave, remover as crostas com cuidado e manter as unhas cortadas são medidas fundamentais para o tratamento e para evitar a disseminação do impetigo.
4. Tratamento das Condições Predisponentes
Quando o impetigo surge como complicação de outras doenças de pele (eczema, escabiose), é fundamental tratar também a condição de base para evitar recidivas.
Complicações do Impetigo
Embora raras, as complicações do impetigo podem incluir celulite (infecção que se aprofunda na pele), erisipela, glomerulonefrite pós-estreptocócica (quando causado por cepas nefritogênicas de estreptococo) e, em casos muito graves, septicemia. O tratamento precoce e adequado reduz significativamente o risco de complicações.
Conheça também outros artigos relacionados à saúde da pele: Foliculite, Dermatite de Contato e Hidratação Cutânea. Para mais informações sobre dermatologia, consulte o Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Medidas de Higiene e Prevenção
A prevenção da infecção passa por medidas simples de higiene. Lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente após contato com lesões cutâneas, é fundamental. Em creches e escolas, manter superfícies e brinquedos higienizados reduz a transmissão entre crianças. O uso de roupas e toalhas individuais evita a contaminação cruzada entre membros da família.
Crianças com lesões ativas devem evitar atividades de contato direto com outras crianças até que estejam tratadas. Pequenos cortes, arranhões e picadas de inseto devem ser limpos e cobertos adequadamente, pois servem como porta de entrada para as bactérias causadoras da infecção cutânea. O diagnóstico e o tratamento precoce são essenciais para evitar a disseminação da doença e o desenvolvimento de complicações.
Leia também sobre: Foliculite e Hidratação Cutânea. Mais informações na Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Quando Voltar às Atividades Normais?
Crianças com impetigo devem ser afastadas da escola até 24-48 horas após o início do tratamento antibiótico e até que as lesões estejam cobertas ou em processo de cicatrização, para evitar a transmissão para outras crianças. Consulte sempre o dermatologista para orientação individualizada e para evitar o uso inadequado de antibióticos.