Tinea: 4 Tipos de Micose na Pele, Causas e Tratamentos

A tinea é uma infecção fúngica da pele muito comum no Brasil. Conheça os 4 tipos principais (corpo, couro cabeludo, pés e unhas), suas causas e os tratamentos dermatológicos eficazes com a Dra. Letícia Fachinelli, dermatologista em Florianópolis.
Tinea | Dra. Letícia Fachinelli

A tinha, popularmente conhecida como micose, é uma infecção fúngica superficial da pele, couro cabeludo, unhas e pelos causada por um grupo de fungos chamados dermatófitos. É uma das condições dermatológicas mais comuns no Brasil, favorecida pelo clima quente e úmido do país. Apesar de não ser grave na maioria dos casos, a tinea pode causar desconforto significativo, espalhar-se facilmente e recidivar se não for tratada de forma adequada pelo dermatologista.

Tinea | Dra. Letícia Fachinelli
Tinea | Dra. Letícia Fachinelli

O Que São os Dermatófitos?

Os dermatófitos são fungos que se alimentam de queratina — a proteína presente na camada mais superficial da pele, nos pelos e nas unhas. Os principais gêneros envolvidos são Trichophyton, Microsporum e Epidermophyton. A infecção pode ser adquirida por contato direto com uma pessoa ou animal infectado (zoonose), por contato com superfícies contaminadas (como pisos de piscinas e vestiários) ou por objetos compartilhados (toalhas, chinelos, escovas).

4 Tipos Principais de Tinha (Tinea)

1. Tinea do Corpo (Tinea Corporis)

Afeta a pele glabra (sem pelos) do tronco, membros e face. Manifesta-se como lesões circulares ou em anel, com bordas avermelhadas, descamativas e ligeiramente elevadas, e centro mais claro — o característico aspecto “ringworm” (verme circular). Pode causar coceira intensa. A transmissão é frequente em contato com animais domésticos infectados, especialmente gatos e cães.

2. Tinea do Couro Cabeludo (Tinea Capitis)

É mais comum em crianças em idade escolar e pode causar queda de cabelo em placas, descamação, coceira e inflamação do couro cabeludo. Em casos graves, pode formar o kerion — uma massa inflamatória, exsudativa e dolorosa que pode evoluir para cicatrizes e alopecia permanente se não tratada rapidamente. O tratamento é obrigatoriamente sistêmico (antifúngicos orais), pois os tópicos não penetram adequadamente no folículo piloso.

3. Tinea dos Pés (Tinea Pedis) — Pé de Atleta

É a micose mais comum em adultos. Afeta principalmente os espaços entre os dedos dos pés, causando descamação, maceração, fissuras e odor desagradável. Pode se estender para a planta e o dorso dos pés. A forma “mocassim” (que acomete toda a planta em forma de mocassim) é crônica e de difícil tratamento. O contágio ocorre principalmente em pisos de banheiros, piscinas e academias.

4. Tinea das Unhas (Onicomicose)

É a infecção fúngica das unhas, mais comum nas unhas dos pés do que das mãos. Causa espessamento, opacidade, coloração amarelada ou esbranquiçada, fragilidade e descolamento da lâmina ungueal. É uma condição crônica de tratamento prolongado — os antifúngicos orais são necessários por meses, e a taxa de recidiva é alta sem os cuidados preventivos adequados.

Outros Tipos de Infecções Fúngicas da Pele

Além das tíneas causadas por dermatófitos, existem outras infecções fúngicas superficiais relevantes: a candidíase cutânea (causada pela Candida), que afeta pregas cutâneas úmidas como axilas, virilhas e dobras abdominais, especialmente em obesos e diabéticos; e a pitiríase versicolor (causada pela Malassezia), que provoca manchas hipo ou hipercrômicas no tronco e costuma piorar no verão.

Fatores de Risco

Frequentar ambientes públicos úmidos (piscinas, vestiários, academias) sem chinelos, usar roupas e calçados fechados em climas quentes, compartilhar objetos pessoais, ter diabetes ou imunossupressão, e o contato com animais domésticos infectados são os principais fatores de risco para adquirir tinea. Pessoas com hiperhidrose (suor excessivo) também têm maior vulnerabilidade.

Diagnóstico Dermatológico

O diagnóstico é clínico, mas o dermatologista pode solicitar exames complementares para confirmação: o exame micológico direto (que visualiza fungos ao microscópio com clarificação por KOH) e a cultura fúngica (que identifica o gênero e a espécie do fungo) são os mais utilizados. A lâmpada de Wood pode ser útil em algumas formas de tinea do couro cabeludo.

Tratamentos para Tinea

O tratamento depende do tipo de tinha, da extensão das lesões e da área acometida:

Antifúngicos Tópicos

São a primeira escolha para tíneas corporis, pedis e crurais leves a moderadas. Os mais usados são terbinafina, clotrimazol, miconazol, cetoconazol e econazol, disponíveis em cremes, géis, loções e pós. Devem ser aplicados nas lesões e na área ao redor, uma a duas vezes ao dia, por pelo menos 2 a 4 semanas após a resolução clínica.

Antifúngicos Orais

Indicados para tinea do couro cabeludo, onicomicose, formas extensas ou resistentes aos tópicos. A terbinafina, o itraconazol e o fluconazol são os principais. O tempo de tratamento varia: para onicomicose dos pés, pode ser necessário tomar o medicamento por 3 a 6 meses. A supervisão médica é fundamental para evitar interações medicamentosas e monitorar a função hepática.

Xampus Medicamentosos

No contexto da tinea do couro cabeludo, xampus com cetoconazol ou sulfeto de selênio são usados como coadjuvantes para reduzir a carga fúngica e prevenir a transmissão, sempre em conjunto com o antifúngico oral.

Como Prevenir a Tinea?

A prevenção é simples e eficaz: usar chinelos em ambientes públicos úmidos, secar bem a pele após o banho (especialmente entre os dedos), evitar compartilhar toalhas, calçados e objetos de higiene pessoal, usar meias de algodão e calçados que permitam ventilação, e manter os animais domésticos tratados e vacinados são medidas essenciais.

Pessoas com onicomicose ou tinea pedis devem tratar o parceiro e os membros da família que também apresentem infecção para evitar a reinfecção. Se você identificar sinais de micose, procure um dermatologista para o diagnóstico correto e o tratamento adequado — a automedicação pode mascarar os sintomas e dificultar a cura.

Leia também sobre outras condições da pele: foliculite e dermatite atópica. Para mais informações sobre saúde da pele, visite a Sociedade Brasileira de Dermatologia.